RETRÓPICA

Dança I Em Repertório I 2017 a 2021 I 42’00’’ I 14 Anos

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SOBRE
Retrópica é um espetáculo solo que, através do corpo, negocia os atritos da cultura tipo exportação existentes entre Brasil e Espanha. Sem olá nem adeus a capitania desse trabalho é antropófaga, não tem carcaça, é desatracada e transcultural. Retrópica não se fixa no samba ou no taconeo, mas sim busca o trânsito existente entre eles.

​O Brasil teve que ser redescoberto por um tratado ibérico católico que não carrega nenhum tipo de romance. Foi a nossa América quem pariu a modernidade europeia, sem embargo, nos empanturraram de catequismo e só nos restou mamar o leite da pedra. O nosso herói é bárbaro e tem plexo de mulher, o nosso herói é a ama de leite, que, no intervalo alimentício da criança de outros, mantém cachorros sugando seu fluido, nosso sangue.

​Mergulhados na fissura da nação do tropicalismo, da doença tropical, seguimos sem lenço mas com samba no pé. O matriarcado de Pindorama é um achado, ele e a tal da ginga garantem o desrecalque localista e a ressignificação de tudo aquilo que teve que morrer para que nós nascêssemos. Enquanto o neocolonialismo, o fanatismo, a intolerância, a imoralidade e o medo nos atropela, Retrópica é mulher. É tupi, é cigano, é a dança pélvica do "vox clamantis in deserto”, é tabu sem totem. É fome, é tesão, é o puro mel que ainda escorre das veias do Equador.


FICHA TÉCNICA
Concepção, coreografia e performance: Mari Paula
Orientação coreográfica: Airton Rodrigues e Ángela Donat
Orientação dramatúrgica: Giorgia Conceição, Leonarda Glück e Ricardo Nolasco
Textos: Leonarda Glück e Luis Pablo Beauregard
Iluminação: Trio Desenho de Luz
Direção musical e Trilha sonora: Fernando de Castro
Figurinos: Mari Paula
Fotos: Cayo Vieira
Vídeo: Livea Castro Calvo
Produção e Coordenação: Jorge Schneider e Simone Bönisch - ABABTG
Produção e Representação (Brasil): Igor Augustho

HISTÓRICO
- Contemplado com o Prêmio Nacional Klauss Vianna de Dança, Funarte - Brasil
- Estreia em 2017, com temporadas no Centro Cultural Casa Selvática, Curitiba (Brasil) e Casa Hoffmann - Centro de Investigación del Movimiento.
- Apresentações em 2018: Espace Alegria, Toulouse (França), MAPAS - Mercado de las Artes Performativas del Atlántico Sur, Tenerife (Espanha), Galería Modus Operandi, Madrid (Espanha), Café de las Artes, Santander (Espanha), Festival Ea! Teatro, Albacete (Espanha), Meeting en Fira Tàrrega, Tàrrega (Espanha)
- Apresentações em 2019: Dferia - San Sebastián (Espanha), Plataforma Berlin, Berlin (Alemanha), Bienal de Dança Kinani - Maputo (Moçambique), Festival TFM - Montevidéo (Uruguai), Festival Cena CumpliCidades - Recife (Brasil), Teatro Cacilda Becker - Rio de Janeiro (Brasil), Tempo Festival - Rio de Janeiro (Brasil)